Português de Portugal

Tags

,

Saramago

Pois, estava eu a procurar boas leituras pela internet. Fui parar no Blog do Saramago, mais uma vez. Achei um texto que não tem como não trazer pra cá. Muitíssimo interessante. Mas não tanto quanto o jeito de escrever que o Saramago tem. Acho fantástico. O tema, nessa caso, dá um brilho a mais. Espero que gostem. [acho que meu sonho mais mirabolante e impossível é escrever como ele :) ]

Um terceiro deus

By José Saramago

Creio que as teses de Huntington sobre o “choque de civilizações”, atacadas por uns e celebradas por outros aquando do seu aparecimento, mereceriam agora um estudo mais atento e menos apaixonado. Temo-nos habituado à ideia de que a cultura é uma espécie de panaceia universal e de que os intercâmbios culturais são o melhor caminho para a solução dos conflitos. Sou menos optimista. Creio que só uma manifesta e activa vontade de paz poderia abrir a porta a esse fluxo cultural multidireccional, sem ânimo de domínio de qualquer das suas partes. Essa vontade talvez exista por aí, mas não os meios para a concretizar. Cristianismo e islamismo continuam a comportar-se como inconciliáveis irmãos inimigos incapazes de chegar ao desejado pacto de não agressão que talvez trouxesse alguma paz ao mundo. Ora, já que inventámos Deus e Alá, com os desastrosos resultados conhecidos, a solução talvez estivesse em criar um terceiro deus com poderes suficientes para obrigar os impertinentes desavindos a depor as armas e deixar a humanidade em paz. E que depois esse terceiro deus nos fizesse o favor de retirar-se do cenário onde se vem desenrolando a tragédia de um inventor, o homem, escravizado pela sua própria criação, deus. O mais provável, porém, é que isto não tenha remédio e que as civilizações continuem a chocar-se umas com as outras.

Ramil and the new one

showVitor Ramil está produzindo um novo cd! As gravações, quase finalizadas, estão sendo feitas na capital Argentina,  Buenos Aires. O novo disco trará somente milongas compostas pelo Vitor a partir de poemas de Jorge Luis Borges, Argentino e João da Cunha Vargas, Brasileiro natural de Alegrete. Ambos estariam completando em 2009 e 2010, respectivamente, 110 anos.

O repertório é formado por 10 milongas inéditas – Milonga de Albornoz, Chimarrão, Milonga de los morenos, Mango, Milonga de dos hermanos, Tapera, Un cuchillo en el Norte, Pé de espora, Milonga para los orientales e Pingo à soga, e de duas regravações, Deixando o pago e Milonga de Manuel Flores. A produção é do próprio Vitor Ramil, e o violonista argentino Carlos Moscardini é o único músico convidado. As gravações acontecem no estúdio Circo Beat, em Buenos Aires.

E para quem achou que esta notícia já era extraordinária o suficiente, aí vem o mais interessante: toda a produção, está sendo documentada em vídeo, o que inclui os ensaios, gravações, mixagens, depoimentos, viagens e visitas aos lugares citados nas milongas, ou, mais legal ainda: os lugares onde Borges e Vargas viveram.

O documentário será editado em DVD e deverá acompanhar a edição do CD como um bônus, trazendo, ainda, uma canção extra.

Segundo o site do Vitor Ramil – www.vitorramil.com.br – o lançamento está previsto para setembro ou outubro deste ano. O novo álbun é uma realização do selo SATOLEP, com apoio cultural do Banrisul.

No ano passado, tive a oportunidade de entrevistar o Vitor Ramil para um trabalho da faculdade. Perguntei sobre a milonga e ele me contou que esta “música” tem um caráter solitário e introspectivo. De acordo com o dicionário a MILONGA pode ser caracterizada como uma espécie de música platina dolente. O termo platina se refere à região do Rio da Prata, ou seja Rio Grande do Sul, Uruguai e Argentina. Já para a milonga ser dolente, quer dizer que ela manifesta dor, mágoa, lamento ou lástima. Para Vitor Ramil a milonga também é muito introspectiva e melancólica e por isso expressa, de alguma forma, essa cultura do clima frio que promove o recolhimento para si do gaúcho.

Segundo Vitor Ramil, a origem da Milonga, no entanto, parece remeter à outro lugar. É que a milonga deve ter surgido em Havana, capital de Cuba, a partir da HABANERA CUBANA. A habanera, cujo nome deriva da cidade de onde é oriunda, LA HABANA,  em espanhol, pode ser considerada a primeira música genuinamente afro-latino-americana. A HABANERA foi levada de Cuba para os salões europeus por volta do século XVII. Lá, foi sofrendo alterações estruturais devido aos arranjos que lhe deram os músicos da Europa. Depois, voltou à América através dos imigrantes portugueses e espanhóis. Se tornou popular nos subúrbios de Montevidéu e Buenos Aires nos fins do século XIX.

Deixando o Pago

No vídeo, Vitor Ramil interpreta a música Deixando o Pago, composta a partir de um poema de João da Cunha Vargas e que está no disco “Ramilonga”.

Começando mais uma vez…

Pela milésima vez estou tentando ter um blog. É um sonho antigo, mas a minha falta de capacidade de organizar o meu próprio tempo tem me impedido ao longo destes dias confusos e bagunçados. Não custa tentar, no entanto! Começemos esta nova tentativa com um vídeo bem legal, para animar o início da nova empreitada. Trata-se da apresentação da band ou grupo “Flor de Lis”, de Portugal, no Eurovision, festival de música da Europa que reune artistas dos mais diferentes países, celebrando a diversidade cultural através de traços do folk e também pela globalização da música. Chama atenção a qualidade do espetáculo, não só da música, mas do palco e da tecnologia utilizada. “Flor de Lis” apresentou a canção “Todas as Ruas do Amor”. Dá uma olhadinha aí – é cultura!Bem legal!

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Join 197 other followers